17 de dez de 2009

Não mente, Nestor!

-Nestor, vem cá, faz favor.
-Prá já, chefe.
-Nestor, vô precisar de você aqui. Seguinte, a gente adquiriu recentemente um poligrafo aqui pra delegacia. Não sei se você sabe do que se trata, em resumo, ele vê quem tá falando mentira.
-Hmm.
-Então, só que ele veio desregulado, precisa de alguém pra falar verdade e mentira pra gente poder calibrar. Pode ser você?
-Acho que pode, chefe. Não entendi nadica de nada mas no que puder ser útil tamu aí. Manda brasa.
-Ok, eu só preciso colocar esses medidores aqui em você primeiro.
-Quanto fio, isso não dá choque não?
-Não, Nestor. Pode ficar tranquilo que não dá choque.
-Até que não é má idéia dar uns choques nos meliantes e falar que foi a máquina.
-Calma Paiva, primeiro vamos resolver isso aqui.
-...
-Tudo pronto. Agora eu vo fazer umas perguntar e você responde sempre com a verdade.
-Ok.
-Qual é o atual presidente dos Estados Unidos?
-Ihh, rapaz. Agora você me pegou, sei não.
-Do Brasil então, Nestor. Quem é o presidente do Brasil?
-É o Lula.
A máquina continuou quieta.
-Quantos países fazem parte do Mercosul?
-Pô, não dá pra perguntar sobre futebol não? Aì, eu tiro de letra.
-Tá bom, tá bom. Quem é o técnico da Seleção?
-O Dunga.
A máquina continuou quieta.
-Quem foi o Campeão Brasileiro de 2009?
-O Flamengo, né. Meu mengão.
A máquina continuou quieta.
-E quantos títulos brasileiros o Flamengo já conquistou?
-Essa também é fácil, 6. Mengão é HEXA.
PÉEEEEEEE!!
-Não mente, Nestor.
-Mas é, pode perguntar pra qualquer flamenguista, Mengão é HEXA.
PÉEEEEEEE!!
-Nestor, quem foi o campeão Brasileiro de 1987?
-Flamen...
PÉEEEEEEE!!
-... Sport.
A máquina continuou quieta.
-Quem disputou a Libertadores do ano seguinte? Flamengo ou Sport?
-Sport
A máquina continuou quieta.
-Quem foi covarde e não aparece pra jogar o quadrangular final?
-Flamengo.
A máquina continuou quieta.
-Então, mais uma vez. QIEM FOI O CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1987?
-Sport.
A máquina continuou quieta.
-E quem conquistou o PENTA em 2009?
-Flamengo
A máquina continuou quieta.
-Paiva, pode deixar assim. Tá funcionando que é uma beleza.

30 de out de 2009

Conversas do Cárcere II: A Facção

-Tava aonde?
-Saí com umas amigas.
-Que amigas?
-Amiga nova, da academia. Você não conhece.
-Hmm.
-E você? Fez o quê?
-Assisti televisão.
-E quanto foi? Ganhamos?
-Jogamos melhor mas eles empataram no finzinho.
-Ah, que pena. Você sabe que eu fiquei torcendo.
-Ficou mesmo?
-Lógico que sim. E porque dessa cara?
-Quando a gente casou você disse que não tinha time. Que nem ligava pra futebol.
-Tá, e?
-Sempre quis te levar pra ver jogo. Você reclamava da violência, que podia dar briga. Nunca nem quis colocar a camisa do Botafogo pra ver jogo em casa.
-Coração, você tá estranho. Conta pra momô o que foi.
-Eu te vi. Já sei de tudo.
-Tudo o quê? Do que você tá falando?
-A Globo passou o jogo.
-Passou, foi?
-É, passou. E mostraram uns lances da torcida. Eu tenho que descobrir pela televisão que você foi no jogo com outro. Acho até que dá pra te perdoar, não dá pra jogar 7 anos de casado assim pela janela. Mas pior que a traição, pior que ver você abraçada com o Paulo foi ver você no meio da torcida do Flamengo. No meio daquela Nação sei-lá-o-quê e da Raça ruim.
-Calma. Vamos conversar. Aconteceu, mas acabou. A gente tinha saído uma vezes mas não teve nada de mais. Eu só fui no jogo pra acabar tudo.
-Dane-se você e dane-se o Paulo. Já disse que isso eu consigo perdoar.
-Então porque você tá assim?
-Você tava com a camisa do Flamengo. *soluça*
-Eu ia terminar com ele. Falei que te amo, que nosso casamento tava melhor. Coloquei a camisa pra agradar, pra ajudar ele a receber a notícia. Eu quero você e o Botafogo. Não suporto o Flamengo, nem sei quem joga lá.
-Sua Falsa. Você tava cantando o hino. E com a mão no peito... COM A MÃO NO PEITO, MARIA ANTÔNIA!!!

24 de out de 2009

Conversas do Cárcere I: Carícias na Cela

-Me bate.
-Oi?
-Bate. Dá um tapa, sei lá. Mas me bate.
-Eu não vou bater em você.
-Não é bater de verdade, dá um tapa, só pra ficar ardido e um pouco vermelho. É gostoso, vai.
-Não.
-Tá com medinho, é?
-Não to com medo, mas não foi assim que Cássia me ensinou.
-Quem é Cássia?
-Minha mãe.
-O que tem sua mãe? Só pedi pra você me dar um tapa.
-Mesmo assim. Não bato em mulher. Acho falta de respeito.
-Vários namorados já fizeram isso. Você é o único que deu chilique.
-Eu não vou bater em você.
-Muito cheio de frescura. Se fosse outro já tinha batido.
-Olha, eu não bato em mulher. É simples.
-Tá bom. Mas você não sabe o que tá perdendo.
-Como?
-Vários antes de você bateram e todos gostaram.
-Eu não sou nenhum deles.
-Mas deveria ser, custa nada experimentar e me satisfazer ao mesmo tempo.
-Hahahaha, isso te satisfaz?
-E como, dá uma sensação boa na pele. Não quero que você deixe marca ou roxo, só que dê uma esquentadinha. Garanto que vai gostar.
-Tem certeza disso?
-Claro, pode ir com vontade. Não muito forte, eu preciso trabalhar cedo amanhã.
-Ainda não sei se isso é legal. Não me parece certo.
-Se você parasse com a lenga-lenga e batesse de uma vez ia saber se é legal, se é certo, se é direito, esquerdo. Bate logo.
-Calma. Eu tenho que pensar. Não é de uma hora pra outra que se resolve bater em uma mulher. Ainda mais eu, que tive criação católica e tradicional.
-Querido, você já me cansou. Não quero mais. Vamos terminar desse jeito mesmo.
-Mas já? Ainda nem tive tempo de pensar.
-Agora não quero mais, passou a vontade. Desse jeito aqui tá bom, termina aí que eu tenho que ir.
-Espera.
-Que foi?
-Essa história de bater me deixou pensando.
-Hum...
-A minha ex-mulher reclamava bastante que sempre era a mesma coisa. Que parecia um robô programado.
-Você devia ter batido nela.
-Talvez, talvez...
-Não interessa agora, já perdi o clima, bem.
-Espera.
-Que foi?
-Eu ainda não tenho certeza.
-Então eu vou embora.
-Espera.
-Ihhh, sei não.
-Vamos aos poucos, eu tive uma idéia pra começar.
-E qual é essa sua brilhante idéia?
-Me bate você. E forte.

17 de set de 2009

Tosse e fala 4, 8, 15, 16, 23, 42

Eu lembro que no colégio onde eu fiz o ensino fundamental teve consulta médica. Eles pagavam(ACHO que eles pagavam, podia ser sobrinho de alguém precisando de hora prática) um médico pra ir lá e fazer uma consultazinha pra ver se ninguém ia cair duro ali na próxima meia hora. Era só o básico, tosse, respira, fala 33, planta bananeira, imita uma galinha, traz um café e coisas do tipo.
Não lembro ao certo se foi 1 vez só e eu imaginei que era algo recorrente ou se realmente era algo recorrente e eu só consigo lembrar dessa única vez. Vai ver algum trauma bloqueou as outras vezes. Eu lembro dessa em especial porque me explicaram uma das minhas maiores fobias na época, mas isso é caso pra outra história.(aqui você acaba de ser enganado, ninguém vai contar nada sobre fobia aqui)
Outra coisa que eu lembro sobre esse dia me faz pensar que eles avisaram com antecedência sobre a consulta. Um moleque, sabe se lá porque, deu presentes ao médico. 2 potinhos. Um amarelinho e outro marronzinho. Isso mesmo. Ele levou amostras de urina e fezes pra fazer exame. Que medidas de segurança tomaram não sei, e nem sei se não escapou um pouco pra mochila. Só lembro do médico chamando uma coordenadora e contando, ainda com os potes na mão.