8 de jun de 2011

Oinc!

Se esbarraram pela faculdade. Ele, Léo, vindo da aula de Antropologia e Etnografia - Cara, que aula do cacete - devaneava ele. Ela, Ana, indo pra Cena e Dramaturgia II - Além de não terminar a maquete pra hoje estou super atrasada - resmungava ela.
BLAM!
A maquete que ainda tinha salvação agora era só destroços. Os óculos dele foram parar longe.
-Você está bem? Eu tava vindo da aula meio sem atenção. Me desculpa, por favor.
-Não liga, gato. Fui eu que tava distraída dando um jeito nessa maque... Ah, não. A minha maquete!
E ficaram ali uns bons minutos discutindo coisas triviais de faculdade e se apaixonando. Só ele, porque ela não era dessas que acredita em amor.
Aí, ele aproveitou que o papo tava bom, reuniu toda a coragem do mundo e falou.
-Já que aparentemente seu projeto babou, você quer ir ali comer alguma coisa? Eu pago.
E foram. Primeiro pra lanchonete, depois pra casa dela. Ela quem deu a idéia de irem. Apesar de quase não acreditar em coisas do coração.
Tinham acabado de se conhecer no sentido bíblico quando ela notou. Uma cicatriz vertical e enorme no peito dele. Olhou a cicatriz com um misto de carinho e dó. Ana agora tinha uma ligeira certeza de que coisas do coração não existem. Ficou sem jeito de perguntar. Mas ele notou.
-É a cicatriz, né? Não tem problema, eu já estou me acostumando com ela. Já tem um tempinho.
-Foi acidente?
-Não, eu sempre tive um coração fraco. O médico disse que era genético. Aí eles me deram um coração novo.
-Deve ser estranho ter o coração de outra pessoa.
-Não é de outra pessoa. Eles implementaram uma técnica experimental, me deram um coração de porco. Dos 12 pacientes, eu sou o único que passou de 1 ano.
-...
-Eu sei que não deve ser fácil de processar, mas esse coração me deu uma vida nova. E a incerteza desse coração me faz viver com mais vontade. Por isso que eu não me arrependo de dizer isso. Eu te amo! Não me preocupa se você não me amar de volta. Porque eu te amo e isso basta. Um amor de horas não vale menos que nenhum outro amor.
Se beijaram. E Ana aceitou de vez que coisas do coração existem e valem a pena. Mesmo vindas de um coração de porco.

4 comentários:

  1. Perfeito!
    Bem, eu sempre acreditei que as coisas do coração existem, mesmo quando o meu esteve em pedaços...
    xero.

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  2. Eu acredito em amor.

    Não acredito é em Léo's

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  3. Gosto muito da maioria dos seus posts, de verdade, tanto que nunca comentei por preguiça de comentar em tds rs. Mas esse não tem jeito, pq eu realmente não acredito em coisas do coração, ou melhor, do MEU coração, talvez um coração de porco me caísse bem hahahahaha
    Muito legal!

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